Curitiba e Eletromobilidade. Curitiba está pronta para atender as mudanças na mobilidade urbana com a introdução da Eletromobilidade?

É inegável a enorme contribuição que o transporte rápido por ônibus (BRT) proporcionou para mobilidade dos curitibanos e ao planejamento da capital paranaense. Além de conectar os quatro cantos do município, tal sistema público de transporte integrado foi referência para mais de 180 cidades ao redor do mundo. No entanto, com a expansão da cidade e o crescimento desordenado da população, tais meios de locomoção apresentaram-se com problemas de superlotações, principalmente em horários de pico.  Além disso, somam-se o sistema de trânsito engarrafado e as ciclovias mal sinalizadas, dificultando ainda mais a mobilidade em Curitiba. Dessa maneira, alterações devem ser realizadas para uma melhoria no planejamento do fluxo de veículos na cidade considerada. A eletromobilidade pode ser considerada uma solução inserida nesse contexto. Curitiba estaria pronta para atender essa mudança?

Sendo considerada uma cidade-modelo, Curitiba deve adotar soluções sustentáveis para a redução de congestionamentos, surgindo os meios de locomoção movidos à eletricidade como uma alternativa que, se complementadas com o sistema de transporte público atuais, poderiam contribuir como uma resposta ao problema. Os incentivos do governo à eletromobilidade já aparecem ainda que de maneira tímida. Uma pequena parcela dos ônibus públicos já são híbridos, funcionando a partir de motores elétrico e a diesel. Além disso, até o final de 2017, por meio de um sistema de compartilhamento, Carros elétricos poderão ser os mais novos meios de transporte público de Curitiba. Sempre inovando, Baseado em um sistema espanhol, o Sistema de Bicicletas Compartilhadas (Bike sharing) fará parte da mobilidade urbana de Curitiba, de tal forma que as bicicletas possuirão um suporte para o encaixe de baterias e com o acoplamento de um sistema específico, no qual a bicicleta convencional transforma-se em uma bicicleta híbrida. Por fim, desde o ano passado, o Governo federal zerou o Imposto de Importação para os automóveis movidos à eletricidade, favorecendo à importação desses veículos.

A eletromobilidade é uma tendência mundial para as próximas gerações, sendo impulsionado tanto pelas políticas de incentivo dos governos quanto pela pressão da sociedade quanto aos impactos ambientais causados pelos automóveis movidos a motor a combustão. Sistemas de compartilhamento de carros elétricos como o Car2go,  variedade de tecnologias nesta área (SOLO e Greyp G12S) e, dispositivos acoplados em bicicletas as transformando em elétricas como o add-e, já são de uso comum em outros países.

A nível mundial, os motores elétricos para fins automotivos já são amplamente utilizados e algumas nações desenvolvidas já cogitam em proibir os carros à combustão em um longo prazo.   A Alemanha está entre esses países, com uma expectativa de banir a produção de automóveis a gasolina e a diesel até 2030, com a subsequente proibição de sua circulação até 2050. Tal resolução já foi aprovada no país e o governo alemão investirá cerca de US$ 1,3 bilhão para subsidiar a compra de carros elétricos até 2019. Essa ação ajudará a Alemanha a reduzir a emissão de dióxido de carbono entre 80% a 95% até 2050, meta acordada no Pacto Mundial sobre o Clima da Conferência em Paris. Além da Alemanha, países como a Holanda, o Reino Unido e a Noruega, bem como a província de Quebéc (Canadá) e alguns estados americanos – Connecticut, Maryland, Massachussets, Nova York, Oregon, Rhode Island e Vermont – preveem o fim dos veículos poluentes até 2050.

Dessa maneira, as empresas envolvidas diretamente e indiretamente com a eletromobilidade já se preparam para as mudanças que virão a acontecer. A BMW, por exemplo, já possui os modelos elétricos I8 E I3 disponíveis no Brasil. A Volkswagen se prepara para o lançamento do ID Concept, carro elétrico a ser comercializado a partir de 2020. Da mesma forma, a Audi vende seus carros híbridos E-tron. Mundialmente, uma das maiores fabricantes de baterias de lítio-íon, a Accumotive, subsidiária da Daimler, a qual presta serviços para a Mercedez-Benz, está investindo € 500 milhões em fabricação de baterias de lítio-íon, construindo uma segunda fábrica de forma a quadruplicar suas instalações.

Seguindo esses modelos, o polo industrial automotivo de Curitiba já deve estar se preparando para esse período de transição de mercado. Inclusive algumas organizações já realizam a produção e a comercialização de carros elétricos, como é o caso do Renault Kangoo Z.E., carro 100% elétrico da Renault e já utilizado pelo Correios para a entrega de encomendas na região de Curitiba. Ademais, a empresa realiza importações de seu modelo elétrico Renault Twizy, chegando a custar um pouco mais de 30 mil reais em terras brasileiras. A meta da empresa é ter Curitiba como a capital nacional da mobilidade de impacto ambiental e para isso, realiza extensas pesquisas para a otimização de tais sistemas. Além da empresa de raízes francesas, a Nissan e a Volvo já possuem estudos nessa área para a implementação de veículos elétricos na capital.

O fato é que com o crescimento da tecnologia elétrica automotiva nos países desenvolvidos, espera-se uma melhora qualitativa em seus equipamentos/produtos e consequentemente uma baixa nos custos dos mesmos, viabilizando aos poucos o seu uso em países em desenvolvimento como no Brasil. A eletromobilidade já estará presente de fato  em um futuro próximo e Curitiba, como cidade-modelo, se encaminha com seu polo industrial automotivo e com os incentivos promovidos pelo governo, a ser uma das primeiras cidades brasileiras a ser referência na eletromobilidade.

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