Estabelecer novas práticas de mobilidade urbana, incentivando o transporte limpo, é uma tendência a todos os governos apreensivos com os impactos ambientais causados pela queima de combustíveis fósseis. Além disso, é uma maneira de progredir o planejamento urbano de uma cidade, de forma a diminuir o congestionamento em horários mais tumultuados. Com essa ideologia, o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criou um projeto de lei para sobrepor os bilhetes únicos por um sistema de recompensa para os cidadãos que se dispõem da utilização de bicicletas em seu deslocamento diário.

O texto substitutivo PL 147/216, autoria do vereador Police Neto (PSD), foi aprovado em 24 de agosto desse ano, regulamentando um incentivo financeiro aos cidadãos que se deslocarem de bicicleta em seus percursos cotidianos a partir de 1º de janeiro de 2017. Definido como ‘Programa Bike SP’, a ideia central é que o usuário passe a acumular créditos de mobilidade (Bilhete da mobilidade) de acordo com o horário e distância percorridos, podendo ser futuramente convertido em dinheiro, utilizado em uma rede conveniada de serviços, ou ainda, podendo ser descontada em contas de serviços públicos ou de utilidade pública.

O programa possui como objetivos diretos a criação de uma cultura favorável aos deslocamentos cicloviários como mobilidade de deslocamento eficiente e saudável; a redução de veículos automotores em circulação e dos índices de emissão de poluente no ar, a melhoria das condições de saúde da população; o desenvolvimento de ações voltadas à melhoria do sistema de mobilidade cicloviária; a conscientização da sociedade quanto aos efeitos indesejáveis da utilização do veículo automotor nas locomoções urbanas; o incentivo do uso da bicicleta para os deslocamentos ao trabalho; a promoção do programa de compartilhamento de bicicleta, em especial para os deslocamentos de integração ao Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros.

O dinheiro para o pagamento aos ciclistas viria do subsídio que é repassado ao transporte público. A cada passageiro que deixasse de utilizar o ônibus, a prefeitura economizaria em torno de R$1,91 por viagem. A maior utilização de bicicletas desafogaria o sistema de transporte público e diminuiria a quantidade de carros circulantes de tal forma a melhorar a qualidade da mobilidade urbana.

As bicicletas ainda não são extensivamente utilizadas no Brasil como em outros locais ao redor do globo, muito devido ao preconceito de algumas pessoas ao acreditarem que este meio de transporte está relacionado a um grupo menos favorecido financeiramente. Essa diminuta idealização deve ser quebrada. Amsterdã, por exemplo, considerada a capital mundial desse meio de locomoção, possui aproximadamente 50% de sua população utilizando tal meio de transporte diariamente. A Holanda é um dos países mais povoados do mundo e esta foi a solução com o qual a sociedade, juntamente com as políticas de incentivo governamentais, encontraram para combater um possível colapso no trânsito. A inclusão do ciclismo nos grandes centros urbanos deve ser uma ação imediata para descongestionar o trânsito e reduzir a emissão de gases poluentes à atmosfera, contribuindo para um melhor planejamento na cidade, colaborando para uma melhor saúde da sociedade e ajudando ao meio ambiente.

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