Ponto de Ônibus com sistema de captação de água pluvial convertida para o consumo

Parece de um tanto estranho comentar sobre o alarme de escassez de água doce no mundo. Afinal, aproximadamente três quartos do planeta Terra estão cobertos por este recurso natural. Mais do que nunca, as aparências enganam. A preocupação dos habitantes do globo vem à tona quando o assunto é água potável. A finitude da água doce no mundo é alarmante, pois de toda a água disponível no planeta, apenas 2,39% é considerada doce. Engana-se quem acredita que essa parcela é totalmente disponível para a sobrevivência humana, surpreendendo-se com o fato de que a população mundial se disponibiliza apenas das águas doces encontradas nos rios e lagos, uma diminuta porcentagem de 0,4% de toda a água doce no mundo. A expressiva maioria encontra-se em estado sólido por meio de geleiras e calotas polares, sendo inviabilizado o seu uso. Tais números podem ser observados nos gráficos abaixo.

Água Salgada vs Água doce

Distribuição da água doce no mundo

Bem sabemos que a água é um recurso natural que não é distribuída equitativamente geograficamente. Impasses geopolíticos pela posse de tal recurso tendem a se estender no globo principalmente devido à má gestão da água. A população ainda reluta em acreditar na escassez de tal recurso e não mede esforços em suas atividades cotidianas para a economia de tal recurso. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, até 2025, aproximadamente 1,8 milhões de pessoas estarão vivendo em regiões com escassez de água absoluta. Atualmente, a ONU calcula que cerca de 1 milhão de pessoas não possuem acesso á água potável e o dobro não possuem água adequada suficiente para beber, lavar-se e comer.  Além disso, deve-se levar em conta o aumento da população mundial e consequentemente, o aumento da demanda de água, que sextuplicou nas últimas cinco décadas e tenderá a crescer ainda mais com o aumenta das populações dos países emergentes nos próximos anos. A preservação deve ser levada em conta previamente sob os preceitos do desenvolvimento sustentável, de tal forma a garanti-la às futuras gerações. São pequenos atos que caminharão frente a tal objetivo.

Pensando dessa forma, a Crystal, organização fabricante de água mineral produzida pela Coca-Cola, lançou um projeto inovador em território brasileiro. A capital paranaense recebeu o primeiro ponto de ônibus com um sistema de captação de água pluvial e sua subsequente transformação em água potável com a disponibilização da mesma por meio de um bebedouro à população. A instalação foi realizada na Rua Imaculada da Conceição em frente à Pontifícia Universidade Católica do Paraná. A ideia serve como um alerta à população, um incentivo  à práticas sustentáveis à sociedade, de tal forma a mostrar a importância da água potável no século XXI, o ouro do século, um sinônimo de vida.

Créditos da Imagem: Igor Matheus Boganika Barros

Baseado em um Sistema Espanhol, o Sistema de Bicicletas Compartilhadas (Bike-sharing) fará parte da Mobilidade Urbana de Curitiba

bicicletas compartilhadas Curitiba

Atualmente, os sistemas de bicicletas compartilhadas estão amplamente popularizados, podendo ser encontrado em mais de 400 cidades ao redor do mundo, incluindo importantes centros de urbanização, tais como Paris, Londres; Washington D.C., Estados Unidos; e, São Paulo, Brasil. A lista de cidades que possuem o sistema é enorme, visto os inúmeros benefícios que o sistema pode trazer: redução do congestionamento, melhora na qualidade do ar de forma a não emitir poluentes, fornecimento de serviços complementares ao transporte público, favorecimento à saúde da sociedade, além do aprimoramento da imagem pública da cidade.

Curitiba, sendo uma das mais importantes cidades sustentáveis do Brasil, não teria como deixar de utilizar tal sistema. O consórcio Bike Fácil, apresentou no último dia 29, um protótipo dos veículos e dos paraciclos – Instalação física de armazenamento das bicicletas – sugeridos para a implantação na capital paranaense. O consórcio realizou uma parceria com a empresa hispânica Ride On, do mesmo criador que a organização Bonopark, a qual administra o sistema de compartilhamento de bicicletas em Madrid, na Espanha.

A proposta é que se tenha 480 bicicletas e 43 estações divididas em pequeno, médio e grande porte, distribuídas pela cidade. Caso a empresa venha a ganhar a licitação a qual participam, a previsão é de que as bicicletas já estejam circulando a partir de Janeiro de 2017, sendo instalado o primeiro lote com 25 estações e 280 bicicletas nos primeiros 75 dias. Além disso, todas as estações de troca possuirão pontos de Wi-fi gratuitos para facilitar os empréstimos via aplicativo em Smartphones.

Quanto às tarifas, a empresa Bike Fácil pretende cobrar R$ 5 pela tarifa diária, R$ 12 pela tarifa mensal e R$ 54 pela tarifa semestral. No entanto, durante o período contratado, o usuário poderá utilizar a bicicleta alugada por 45 minutos e terá de esperar mais 15 minutos para podê-la emprestar novamente. A ideia nesse caso é a de incentivar a rotatividade das bicicletas, tendo a certeza de que sempre haverão meios de transportes disponíveis aos outros usuários. Caso houver algum atraso nos 45 minutos, haverá taxas adicionais com um valor entre R$2 e R$2,5 para cada 15 minutos ultrapassados.

Um dos fatores que mais chamam a atenção, é que as bicicletas compartilhadas terão um suporte devido para o encaixe de baterias, de tal forma a transformar a bicicleta convencional em uma bicicleta híbrida. A ideia inicial é de que cada usuário possua o seu próprio sistema e o acople no meio de locomoção quando for utilizado, como o sistema add-e. Caso a empresa for homologada, a Bike Fácil terá os direitos de implantação, operação, manutenção e monitoramento do serviço integrado de bicicletas públicas em Curitiba durante os próximos cinco anos.

Curitiba e Eletromobilidade. A capital está pronta para os carros elétricos?

Curitiba e Eletromobilidade. Curitiba está pronta para atender as mudanças na mobilidade urbana com a introdução da Eletromobilidade?

É inegável a enorme contribuição que o transporte rápido por ônibus (BRT) proporcionou para mobilidade dos curitibanos e ao planejamento da capital paranaense. Além de conectar os quatro cantos do município, tal sistema público de transporte integrado foi referência para mais de 180 cidades ao redor do mundo. No entanto, com a expansão da cidade e o crescimento desordenado da população, tais meios de locomoção apresentaram-se com problemas de superlotações, principalmente em horários de pico.  Além disso, somam-se o sistema de trânsito engarrafado e as ciclovias mal sinalizadas, dificultando ainda mais a mobilidade em Curitiba. Dessa maneira, alterações devem ser realizadas para uma melhoria no planejamento do fluxo de veículos na cidade considerada. A eletromobilidade pode ser considerada uma solução inserida nesse contexto. Curitiba estaria pronta para atender essa mudança?

Sendo considerada uma cidade-modelo, Curitiba deve adotar soluções sustentáveis para a redução de congestionamentos, surgindo os meios de locomoção movidos à eletricidade como uma alternativa que, se complementadas com o sistema de transporte público atuais, poderiam contribuir como uma resposta ao problema. Os incentivos do governo à eletromobilidade já aparecem ainda que de maneira tímida. Uma pequena parcela dos ônibus públicos já são híbridos, funcionando a partir de motores elétrico e a diesel. Além disso, até o final de 2017, por meio de um sistema de compartilhamento, Carros elétricos poderão ser os mais novos meios de transporte público de Curitiba. Sempre inovando, Baseado em um sistema espanhol, o Sistema de Bicicletas Compartilhadas (Bike sharing) fará parte da mobilidade urbana de Curitiba, de tal forma que as bicicletas possuirão um suporte para o encaixe de baterias e com o acoplamento de um sistema específico, no qual a bicicleta convencional transforma-se em uma bicicleta híbrida. Por fim, desde o ano passado, o Governo federal zerou o Imposto de Importação para os automóveis movidos à eletricidade, favorecendo à importação desses veículos.

A eletromobilidade é uma tendência mundial para as próximas gerações, sendo impulsionado tanto pelas políticas de incentivo dos governos quanto pela pressão da sociedade quanto aos impactos ambientais causados pelos automóveis movidos a motor a combustão. Sistemas de compartilhamento de carros elétricos como o Car2go,  variedade de tecnologias nesta área (SOLO e Greyp G12S) e, dispositivos acoplados em bicicletas as transformando em elétricas como o add-e, já são de uso comum em outros países.

A nível mundial, os motores elétricos para fins automotivos já são amplamente utilizados e algumas nações desenvolvidas já cogitam em proibir os carros à combustão em um longo prazo.   A Alemanha está entre esses países, com uma expectativa de banir a produção de automóveis a gasolina e a diesel até 2030, com a subsequente proibição de sua circulação até 2050. Tal resolução já foi aprovada no país e o governo alemão investirá cerca de US$ 1,3 bilhão para subsidiar a compra de carros elétricos até 2019. Essa ação ajudará a Alemanha a reduzir a emissão de dióxido de carbono entre 80% a 95% até 2050, meta acordada no Pacto Mundial sobre o Clima da Conferência em Paris. Além da Alemanha, países como a Holanda, o Reino Unido e a Noruega, bem como a província de Quebéc (Canadá) e alguns estados americanos – Connecticut, Maryland, Massachussets, Nova York, Oregon, Rhode Island e Vermont – preveem o fim dos veículos poluentes até 2050.

Dessa maneira, as empresas envolvidas diretamente e indiretamente com a eletromobilidade já se preparam para as mudanças que virão a acontecer. A BMW, por exemplo, já possui os modelos elétricos I8 E I3 disponíveis no Brasil. A Volkswagen se prepara para o lançamento do ID Concept, carro elétrico a ser comercializado a partir de 2020. Da mesma forma, a Audi vende seus carros híbridos E-tron. Mundialmente, uma das maiores fabricantes de baterias de lítio-íon, a Accumotive, subsidiária da Daimler, a qual presta serviços para a Mercedez-Benz, está investindo € 500 milhões em fabricação de baterias de lítio-íon, construindo uma segunda fábrica de forma a quadruplicar suas instalações.

Seguindo esses modelos, o polo industrial automotivo de Curitiba já deve estar se preparando para esse período de transição de mercado. Inclusive algumas organizações já realizam a produção e a comercialização de carros elétricos, como é o caso do Renault Kangoo Z.E., carro 100% elétrico da Renault e já utilizado pelo Correios para a entrega de encomendas na região de Curitiba. Ademais, a empresa realiza importações de seu modelo elétrico Renault Twizy, chegando a custar um pouco mais de 30 mil reais em terras brasileiras. A meta da empresa é ter Curitiba como a capital nacional da mobilidade de impacto ambiental e para isso, realiza extensas pesquisas para a otimização de tais sistemas. Além da empresa de raízes francesas, a Nissan e a Volvo já possuem estudos nessa área para a implementação de veículos elétricos na capital.

O fato é que com o crescimento da tecnologia elétrica automotiva nos países desenvolvidos, espera-se uma melhora qualitativa em seus equipamentos/produtos e consequentemente uma baixa nos custos dos mesmos, viabilizando aos poucos o seu uso em países em desenvolvimento como no Brasil. A eletromobilidade já estará presente de fato  em um futuro próximo e Curitiba, como cidade-modelo, se encaminha com seu polo industrial automotivo e com os incentivos promovidos pelo governo, a ser uma das primeiras cidades brasileiras a ser referência na eletromobilidade.

Carros elétricos poderão ser os mais novos meios de transporte público em Curitiba

carro eletrico

Curitiba é reconhecida mundialmente como uma cidade sustentável, já tendo sido eleita como a cidade mais verde da América Latina pelo relatório Green City Index, publicado pela Siemens AG, em 2012. Além disso, em 2010, a capital paranaense foi nomeada internacionalmente como a cidade mais sustentável com o prêmio Globe Sustainable City Award, em Estocolmo, na Suécia. Sempre com a sustentabilidade em mente, Curitiba poderá inovar mais uma vez em seu setor de transportes.

Assim sendo, a prefeitura de Curitiba lançou um edital de chamamento público em maio deste ano, referente à implantação e operação de sistema de transporte coletivo com acionamento elétrico, de características urbanas. Entre os projetos apresentados em setembro, dois deles possuem uma ideia em comum: o compartilhamento de carros. A implementação seria uma inovação no mercado brasileiro, entretanto já é existente no mundo a fora.

car2go Carsharing

Até o fim de 2017, os projetos apresentados têm como meta compartilhar 50 carros elétricos e 30 estações, para o carregamento, com os curitibanos. Tais carros elétricos seriam adequados para viagens de pequenas distâncias, com o principal objetivo de descongestionar certas regiões no trânsito da capital. Dessa maneira, o usuário retiraria o carro elétrico em um ponto de estacionamento e o devolveria em outro, com a proposta de que esse mesmo carro fosse utilizado a partir do último ponto deixado, ou seja, que o carro permanecesse em constante movimento ao longo do dia.

Segundo o estudo do Centro de Pesquisa em Transportes (TSRC) realizada pela Universidade de Berkeley, no estado da Califórnia, Estados Unidos, seriam 11 carros convencionais retirados da rua a cada carro compartilhado. Dessa maneira, a emissão de gás carbônico devido a combustão dos combustíveis fósseis reduziria em até 13 toneladas. Tal gás é um dos causadores da poluição atmosférica, da chuva ácida, do efeito estufa intensificado.

A capital paranaense poderá ter a vantagem de se basear em projetos em funcionamento no exterior, evitando erros e aumentando a eficácia na prestação desse serviço. Uma das maiores redes de compartilhamento de carros elétricos e convencionais no mundo é a Car2go. Fundada na Alemanha em 2008 e disponível em muitos países da Europa e da América do Norte, a empresa facilita o compartilhamento de sua frota por meio de aplicativos instalados em smartphones, de tal forma ao usuário poder verificar qual carro disponível está mais próximo de sua localização. O funcionamento é basicamente o mesmo que poderá ocorrer nas ruas de Curitiba, com uma pequena diferença de que os carros podem ser estacionados em qualquer lugar legal nas cidades participantes. Curitiba está a um passo de, novamente, se tornar uma cidade modelo no setor de transportes.

Fonte da Imagem: https://www.car2go.com

car2go Carsharing